Após alguns acontecimentos, várias pessoas que querem abrir uma farmácia de manipulação ou pensavam em expandir o negócio vieram me perguntar se ainda é viável investir/acreditar no setor magistral.

O grande temor das atuais farmácias e a perspectiva de futuro me motivaram a escrever a respeito, mas, mais do que isso, perguntar a outros profissionais a respeito. Segue abaixo as impressões de alguns profissionais do setor magistral:

Acredito que o setor magistral tem uma grande oportunidade com a introdução da resolução 585 e 586/13 do CFF, que estabelece as atividades clínicas do farmacêutico e cria a prescrição farmacêutica. A área de fitoterapia e dermocosméticos serão segmentos que terão grande expansão nos próximos anos. Na parte de medicamentos alopáticos, vejo que a individualização de tratamentos deve ganhar força com a farmacogenética, o que leva a necessidade do estabelecimento de doses individualizadas para cada paciente, os quais não são fornecidos pela indústria farmacêutica. O atendimento clínico e os serviços farmacêuticos serão o grande diferencial no setor magistral.

 

Marcelo Polacow – Farmacêutico (USP- Ribeirão Preto), Doutor em Farmacologia (FOP- UNICAMP), Conselheiro Federal por SP no Conselho Federal de Farmácia (CFF).

 

A área magistral passou por várias mudanças nos últimos anos, com a publicação de resoluções pela Anvisa que estabelecem normas sobre boas práticas de manipulação de medicamentos e isso gerou um ganho na qualidade e segurança dos produtos.

Atualmente a grande importância desse setor reside na característica de individualização e personalização do atendimento, que é uma tendência na área de prestação de serviços. O farmacêutico que atua na farmácia de manipulação tem a possibilidade de preparar medicamentos para atender as especificidades de cada paciente, manipulando produtos não disponibilizados pela indústria e/ou cujas apresentações existentes não suprem necessidades individuais. Com isso,  esse segmento é imprescindível para garantir o tratamento adequado a milhares de pacientes.

 

Dra. Raquel Rizzi – Vice-Presidente do CRF-SP, Farmacêutica Bioquímica, Mestre em Educação – Área de Concentração Educacional em Saúde, Especialista em Análises Clínicas e Citologia Clínica e Professora Universitária.

 

Investir, acreditar e ter otimismo mesmo ante as dificuldades vividas pelo setor magistral; A Pharmaspecial continua investindo em inovação, estrutura e tecnologia por acreditar no potencial de crescimento do setor magistral que ano a ano vem se profissionalizando e se tornando referência em manipulação de medicamentos, cosméticos e nutricosméticos personalizado para cada necessidade.

 

Ana Paula Morais – Diretora Pharmaspecial, formada em Marketing ESPM  e Pós Graduada em Marketing de Serviços pela FAAP.

 

Minha percepção do mercado é a seguinte: vão sobreviver e expandir as empresas que focarem o negócio na individualização do produto e na assistência farmacêutica. A competição por preço, especialmente em insumos que tem apresentação industrializada, é um tiro no pé; As linhas de suplementação esportiva, nutrição, dermatologia e insumos órfãos são os mais promissores.

A regulamentação do setor é bastante opressiva, então um leigo que deseje abrir uma farmácia deve ter um profissional farmacêutico experiente para assessorar, ou corre o risco de perder o investimento. O tempo de retorno do investimento inicial aumentou, por causa da margem de lucro reduzida com que temos operado; Para um iniciante, talvez o sistema de franquia seja mais indicado.

 

Gelza Araújo – Farmacêutica Industrial, graduação na UFF 1996, 16 anos de atuação em Farmácia Magistral.

 

Quem tem mais de 40 anos deve lembrar-se do lançamento do videocassete nos anos 80 e a profecias de que o cinema acabaria. Hoje temos salas de cinema mais confortáveis, com som e imagem de alta qualidade, sem falar no 3D. O setor magistral também passou por mudanças, principalmente com a RDC 33-2000, e o que poderia ser a decadência do mercado se tornou a consolidação. Através das exigências legais houve significativa melhora da qualidade das farmácias, tanto em estruturas como em profissionais e procedimentos. Hoje o setor não atende somente essa, mas todas as demais RDC´s posteriores, e tornou ainda mais forte e competitivo.

O mercado brasileiro de medicamentos é um dos maiores do mundo, graças ao seu histórico, ao aumento do consumo das classes C e D impulsionados pelo crescimento econômico, distribuição de renda e ao envelhecimento populacional. As farmácias magistrais já conquistaram uma fatia deste bolo, com a percepção dos benefícios dos medicamentos manipulados pela população em geral, e ao que parece, não estão dispostas a repartir essa conquista, vê-se pelos investimentos agora em visitação médica.

Outro fator importante na perpetuidade magistral é o mercado de cosméticos. Esse setor é sem dúvida um dos que mais crescem no Brasil e a agilidade com que as farmácias podem fornecer aos clientes os diversos lançamentos da moda, torna-se mais um importante diferencial. Pelo jeito a vaidade dos brasileiros também ajudará manter o setor bastante aquecido.

 

Reginaldo Bolato – Formado pela Fatec de Taquaritinga em Processamento de Dados e Pós Graduado em Gerenciamento de Marketing pelo INPG – Diretor da Intuictive Sistemas.

 

Continua…