DepressãoA OMS define depressão como um transtorno mental comum, caracterizado por tristeza, perda de interesse, ausência de prazer, oscilações entre sentimentos de culpa e baixa autoestima, além de distúrbios do sono ou do apetite. Também há a sensação de cansaço e falta de concentração. Pelo menos 5% das pessoas que vivem em comunidade sofrem de depressão, o que alcançaria mais de 350 milhões de pessoas no mundo.

A associação entre depressão e doenças clínicas é muito freqüente, levando a pior evolução tanto do quadro psiquiátrico como da doença clínica, com menor aderência às orientações terapêuticas, além de maior morbidade e mortalidade. Diversas doenças estão claramente associadas à depressão, com maior destaque para as doenças cardiovasculares, endocrinológicas, neurológicas, renais, oncológicas e outras síndromes dolorosas crônicas.

Ter depressão na adolescência é um fator de risco para ter excesso de peso na fase adulta, sendo o contrário também verdadeiro, ou seja, ter obesidade quando jovem aumenta o risco de ter depressão quando adulto. Esta associação pode ser explicada de inúmeras maneiras, desde a possível concomitância de fatores de risco em comum, como maus tratos na infância, aspectos genéticos, padrão similar de comportamento alimentar e atividade física, ou manutenção de estados de estresse crônico, representado por hipercortisolemia. Um fato interessante é a relação do tratamento no impacto de cada um dos problemas, pois o tratamento da depressão pode aumentar o peso, enquanto que a diminuição do peso tende a melhorar o humor (Dymek et al., 2001).

Considerando então que a perda de peso está associada a uma melhora no humor e diminuição dos sintomas clínicos da depressão, uma proposta terapêutica que combine fatores que promovam a perda de peso e contribua para que o metabolismo de neurotransmissores relacionados ao controle do humor seja estabilizado parece bem interessante.

A relação depressão x obesidade é cíclica, com um quadro interferindo negativamente sobre o outro. Estudos recentes indicam que há uma forte relação entre a depressão e a obesidade. Aproximadamente 30% das pessoas que procuram tratamentos para emagrecer apresentam algum grau de depressão. Pessoas obesas têm mais risco de ficarem deprimidas. A depressão pode trazer sintomas como compulsão por comida ou aumento de apetite. Podem ocorrer as chamadas “farras alimentares”, episódios em que o indivíduo come à beça, depois se arrepende, e fica com baixa autoestima. Internamente, no organismo, a depressão aumenta a circulação do cortisol, já mencionado acima como indicador de estresse e que pode induzir ao acúmulo de células de gordura na região abdominal. Sabe-se que a melancolia profunda reduz a produção de serotonina e a noradrenalina. O resultado dessa disfunção é aquela vontade de comer carboidratos isto é, doces, pães e massas.

Como interferir positivamente neste quadro?

O aumento da atividade da serotonina é o alvo farmacológico dos antidepressivos chamados ISRS, inibidores seletivos da receptação de serotonina, neurotransmissor chave no equilíbrio do humor. A estrela desta classe é a Fluoxetina, que no lançamento de sua principal marca foi denominada “pílula da felicidade”. Esta é uma das classes disponíveis de antidepressivos, e a mais prescrita para a terapia farmacológica da depressão.

Saindo da abordagem farmacológica, temos alguns minerais, aminoácidos e vitaminas que são essenciais para a produção da SEROTONINA, e que podem aumentar a produção deste neurotransmissor, colaborando com a remissão dos sintomas depressivos. A suplementação de Tirosina, Magnésio, Vitamina B6 e Triptofano fornece os “tijolos” necessários para a produção de Serotonina e Noradrenalina. A melhora na disponibilidade destes neurotransmissores também colabora com o controle da compulsão alimentar, distúrbio emocional que está muito ligado à obesidade. Alguns fitoterápicos, como o Crocus sativus e Hypericum perforatum, entre outros, tem sido usados com bons resultados tanto na terapia da depressão, como da compulsão alimentar.

Precisando de uma força pra romper o ciclo? Não hesite em procurar ajuda. É recomendável buscar um tratamento multidisciplinar, com apoio de médicos, psicólogos, nutricionistas e muita atividade física.

Saúde!

Texto extraído e adaptado por Gelza Araújo – Farmacêutica Magistral

Fontes:

Fiocruz

Instituto Sinapse

Teng, C.T.; Humes, E.C.; Demetrio, F.N.; Depressão e comorbidades clínicas; Rev. Psiq. Clín. 32 (3); 149-159, 2005