Corina Godoy Cunha na sede da Apoteka

Dra. Corina  na sede da Apoteka

Hoje, eu gostaria de compartilhar com vocês, na forma de conselhos, quatro aprendizados que tive durante a minha pequena jornada profissional. A primeira delas é:

1- Faça o que você ama, mas acima de tudo, ame o que você faz.

Há aproximadamente 22 anos, eu estava terminando o terceiro colegial, como vocês, sem saber exatamente o que faria da vida. Eu sabia que gostava de desenhar e por isso pensava em fazer arquitetura, mas pesava também em fazer biomédicas, porque poderia dar continuidade ao laboratório da minha mãe. Foi então, no momento de fazer a inscrição para o vestibular, que decidi deixar pra sorte e tirar no palito. Fui pra cozinha, peguei dois palitos, um representando o curso de arquitetura e outro representando o curso de biomédicas. Quando estava prestes a escolher entre um deles, meu pai entrou na cozinha e sugeriu que eu colocasse um terceiro palito, dizendo que farmácia era um bom curso.
Decidi então colocar o terceiro palito e, para a minha surpresa, foi o palito que escolhi. Fiz a faculdade de farmácia e hoje sou apaixonada pela minha profissão. Mas sei que se eu tivesse tirado o palito da arquitetura ou da biomédicas naquele momento, eu também seria uma boa profissional, porque faria com amor e dedicação. Um outro exemplo disso, ocorreu com o meu pai. Ele queria fazer engenharia elétrica no ITA e estava fazendo cursinho preparatório para o vestibular em SP, quando de repente, seu pai faleceu. A situação mudou e ele não teve outra opção a não ser voltar para sua cidade para poder cuidar dos irmãos enquanto sua mãe trabalhava. Entre os cursos disponíveis em Botucatu, ele optou por fazer medicina e depois de 6 anos, se tornou um dos melhores médicos que Leme já teve.
Seja lá qual for a sua escolha ou a sua realidade, faça sempre o melhor que puder e não irá se arrepender. Faça com amor e dedique-se ao máximo, procurando aprender a cada dia mais e assim adquirindo cada vez mais conhecimentos. Independente da sua profissão, você vai passar por dias difíceis, terá vontade de desistir. Haverá dias que faltará dinheiro para pagar as contas e tudo parecerá estar dando errado, mas persista. A única maneira de fazer um excelente trabalho, é colocando amor e persistência no que se faz.

2- Faça de cada adversidade uma força.

No segundo ano da faculdade, aos 18 anos, eu engravidei. O meu mundo momentaneamente caiu sobre minha cabeça e tive muito medo de não conseguir conciliar a faculdade, que era em período integral, com todas as tarefas que envolvem a função de mãe. Transferi a faculdade de Campinas para Araras e quando o Luis Otavio tinha apenas 2 semanas, estava eu, sentada na sala de aulas e nos intervalos, retirando leite no banheiro para que ele mamasse no dia seguinte. Consegui amamentar por seis meses, somente assim. Me lembro que, para conseguir tirar notas boas, eu colocava o despertador para tocar a cada 1 hora, alternando o sono com os estudos e a amamentação na madrugada. Viajava de Araras para Leme na hora do almoço para amamentar pessoalmente pelo menos uma vez ao dia. Não foi fácil, mas eu consegui me formar e aprendi muito cedo a não ter o olhar voltado apenas para mim mesma. Aprendi a cuidar de outra vida, a focar no que realmente importava e a me organizar para conseguir dar conta de tudo. O que parecia uma adversidade, me trouxe muito amadurecimento e um filho maravilhoso, que em um mês completará 20 anos.

Logo que me formei, decidi montar uma farmácia, mesmo não tendo experiência alguma. Apesar de trabalhar muito, os primeiros anos foram muito difíceis, a farmácia só fechava no vermelho, fiz vários empréstimos e chegou um dia que não tinha dinheiro para pagar os salários dos funcionários. Naquele dia, eu percebi que não poderia esperar que uma solução caísse do céu. Se eu quisesse que as coisas melhorassem, eu precisaria buscar as soluções. Comecei a estudar e a me dedicar cada vez mais. A vontade de ajudar as pessoas, nos meus atendimentos farmacêuticos, me fazia querer pesquisar sobre cada caso. Não hesitava em dizer que não sabia e logo abria os livros ali mesmo no balcão. Fazia cursos aos finas de semana e trocava a TV pelos estudos nos momentos livres. Eu não sabia que os conhecimentos adquiridos no dia a dia da farmácia me ajudariam tanto a dar o passo seguinte da minha vida profissional.

3- Sonhe, acredite em você e corra atrás do seu sonho.

Quando tive a minha segunda filha, a farmácia já estava estabilizada e tudo parecia bem. Mas eu estava triste e não entendia o motivo. A vida estava ficando monótona e eu estava começando a acomodar. Foi então que, em um treino de corrida, encontrei duas amigas de infância e começamos a correr juntas, formando um grupo de três chamado Pink Cheeks, que significa bochechas rosas em inglês. Conforme os treinos aumentavam, fomos sentindo os problemas relacionados ao esporte, como por exemplo, manchas de sol na pele, bolhas nos pés, assaduras, cabelos ressecados, etc. Foi então que comecei a desenvolver produtos para minimizar os danos causados pela prática esportiva. Fomos percebendo que, assim como nós sofríamos com aqueles problemas, outras pessoas também sofriam. Começamos então a fabricar os produtos na farmácia, a Renata, como uma boa publicitária, foi desenvolvendo os rótulo para os produtos e a Gisele, como administradora, começou a fazer os planejamentos estratégicos para que a nossa maca se transformasse no que é hoje.

Naquela época, eu ouvi muitas críticas e várias pessoas me desencorajaram. Não acredito que tenham feito por mal, mas simplesmente pelo fato de ser realmente difícil. Ouvi frases como: “correr, correr para chegar aonde?”, “você está em uma fase tranquila e agora vai querer fazer batonzinho… “, “Pink Cheeks é um nome ruim, muito infantil”, “indústria dá muito trabalho e pouco dinheiro”… Entre outras… Se tivesse dado ouvidos à essas pessoas, nunca teria ido adiante em meu sonho. Por isso, nunca acredite se alguém te disser que você não vai conseguir, pois isso, dependerá muito mais das suas próprias ações do que da opinião de outros.

As vendas começaram a aumentar e foi então que percebi que não poderia mais produzir os produtos na farmácia. Tive dúvidas se deveria construir a minha própria fábrica ou terceirizar a produção. Por influência de terceiros, eu estava muito mais propensa a terceirizar a produção, pois eu não tinha experiência alguma com indústrias e muito menos tinha o capital para investir. Naquele momento, o que me fez optar por construir a minha própria indústria foi quando, em uma conversa com uma das funcionárias que produzia o nosso bastão de filtro solar, ela começou a chorar, dizendo que estaria fora do meu projeto, já que estaria na produção. Naquele dia, fui pra casa e pensei que se terceirizasse, estaria sendo egoísta. A minha consciência dizia que não poderia pensar somente em mim. Foi então que decidi construir a indústria Apoteka e assim poderia dar emprego para mais pessoas. Hoje, a farmácia conta com aproximadamente 30 colaboradores, a Apoteka com 10 e a Pink Cheeks com 8.

A Pink Cheeks é a primeira marca de cosméticos para atletas, é vendida nas melhores lojas esportivas do Brasil e possui crescimento de 70% ao ano. Recentemente ganhou o prêmio de melhor filtro solar brasileiro de 2017, concorrendo com empresas renomadas como a multinacional Johnson’s. Tudo isso, feito em Leme, por pessoas que acreditam que só o amor e o trabalho duro podem construir uma história de sucesso. Não é o seu sonho que corre atrás de você. Você precisa todo dia acordar, correr e trabalhar duro para conseguir alcançar este sonho.

4- Tenha exemplos, seja exemplo.

Eu cresci tendo como exemplo duas grandes mulheres. A primeira foi minha avó, a tão conhecida a Nirse Godoy. Para ela, tudo era possível se você trabalhasse muito para alcançar seu objetivo. Ela era conhecida por atender muito bem seus clientes e se dedicar de corpo e alma à sua loja de auto peças. Foi uma precursora do setor de auto peças na época em que as mulheres somente cuidavam de suas famílias e não eram aptas para entrar no mercado de trabalho. Ela trabalhou comigo até os seus 84 anos, uma semana antes de falecer.

Meu outro grande exemplo vem de minha mãe, Suely Godoy, biomédica e proprietária do laboratório Lemelab. Foi ela quem segurou, e soltou, minha mão nas horas certas. Me ensinou que ser mãe, mulher, empresária, empreendedora, avó, musicista e muitas outras coisas, são possíveis quando se tem sonhos, planos, disciplina e muito trabalho. Seguir o exemplo é tão importante quanto ser um exemplo. E assim como eu segui minha avó e minha mãe, quero hoje tentar ser um bom exemplo para meus filhos, meus funcionários e, hoje, para vocês.

Sonhem, trabalhem, lutem pelos seus valores, sejam bons, e conquistem a vida que querem viver.

Muito obrigada!

Corina Godoy Cunha