Açúcar e gorduraAçúcares e gorduras são parte da dieta normal de todos nós, e necessários para uma nutrição balanceada. Ambos são fontes de calorias, e no caso de das gorduras também são substrato para produção de outros compostos bioativos como hormônios. A ingestão exagerada, entretanto, descompensa o balanço energético e colabora para o ganho de peso progressivo, levando à obesidade. Apesar de muitos saborosos, alimentos ricos em açúcares e gorduras podem se tornar muito perigosos.

A obesidade tem sido associada a vários efeitos adversos à saúde. A relação entre grau de obesidade e incidência de doença cardiovascular (DCV) tem sido abundantemente descrita na literatura médica. A avaliação de homens e mulheres participantes do estudo de Framingham, em um período de 26 anos, revelou que a obesidade é um fator de risco para a ocorrência de eventos cardiovasculares, especialmente doença coronariana, insuficiência cardíaca e acidente vascular cerebral, independente da idade, pressão arterial sistólica, níveis de colesterol, tabagismo, intolerância à glicose e presença de hipertrofia ventricular esquerda. O estudo de Manson também evidenciou a importância da obesidade como risco independente para doença coronariana em mulheres. Neste estudo, mulheres com índice de massa corporal (IMC) acima de 32kg/m2 (OBESIDADE GRAU 1) apresentaram um risco relativo de morte por doença cardiovascular 4,1 vezes maior que aquelas com IMC menor que 19kg/m2 (PESO IDEAL). Por outro lado, a obesidade, especialmente do tipo abdominal ou visceral, se associa com outros fatores que contribuem para um maior risco cardiovascular. Hipertensão arterial, intolerância à glicose, hipertrigliceridemia com HDL baixo, hiperinsulinemia constituem a “síndrome metabólica” que promove um risco aumentado de doença aterosclerótica. A obesidade do tipo visceral parece ser característica dessa síndrome.¹

Cerca de 80% dos obesos sofre de diabetes tipo 2, sendo que o risco desta doença está associado proporcionalmente ao aumento de peso A diabetes relacionada com a obesidade pode levar a complicações de saúde graves como problemas neurológicos, complicações cardíacas, complicações visuais, problemas dermatológicos e insuficiência renal.

A obesidade favorece também o aumento nos níveis de gorduras plasmáticas, gerando a hipercolesteremia. O primeiro passo no tratamento da hipercolesterolemia é reduzir o consumo total de gordura da alimentação e selecionar o tipo de gorduras utilizado. Devem-se evitar as gorduras de origem animal, geralmente saturadas e ricas em colesterol, preferindo as de origem vegetal. O azeite, uma gordura monoinsaturada, é a gordura de eleição, quer para temperar, quer para cozinhar, mas usado sempre com moderação.  Em relação ao colesterol propriamente dito, quem tem hipercolesterolemia não deve ingerir mais de 200mg de colesterol por dia. Para tal, é necessário evitar os alimentos mais ricos neste tipo de gordura, como vísceras e as carnes gordas, o leite gordo e os seus derivados (manteiga, natas, queijo gordo).³

O colesterol elevado não provoca sintomas, nem mesmo quando começa a formar placas de gordura nas artérias. A condição cursa em silêncio e, sem controle, pode ter como a primeira manifestação um infarto do miocárdio ou mesmo um acidente vascular cerebral. Das condições que favorecem a ocorrência desses eventos destacam-se o sedentarismo e a obesidade.4

Por este motivo, as pessoas com excesso de peso devem esforçar-se por alterar certos hábitos de vida, especialmente se existirem antecedentes familiares de doenças relacionadas à obesidade. Além de seguir uma dieta equilibrada baixa em gorduras, uma alimentação rica em fibras e baixa em açúcares para controlar os níveis de glicose no sangue também é recomendada.²

Um dos alvos para redução da absorção de açúcares e gorduras é o bloqueio das enzimas responsáveis pela quebra destes nutrientes, etapa limitante para a absorção. Medicamentos e suplementos com esta finalidade são ferramentas úteis para a diminuição dos níveis de glicemia e colesteremia, o que reduz o risco de desenvolvimento das doenças relacionadas ao aumento dessas taxas.

Precisando de ajuda para controlar glicemia e colesteremia? Procure seu médico, farmacêutico ou nutricionista para uma avaliação personalizada.

Saúde!

Texto extraído e adaptado por Gelza Araújo – Farmacêutica Magistral

Fontes:

Scielo

121DOC

Roche

Fleury